Se as plantinhas falassem hoje eu seria um camponês
Eu aprendi a
nunca ter ódio racial que não fosse de mim mesmo, e ter ódio de mim mesmo por quê?
Porque fui hostilizado
devido à falta de informações filosóficas, eu fui criando-as aos poucos, sendo
que minha primeira redação foi na sétima série do primeiro grau, que foi elevada
honrosamente.
Passei a escrever,
de fato aos trinta anos de idade, e partir dai comecei a me amar e a corrigir
meu passado, cujos erros não eram de minha profunda vontade, pois terceiros
agiam em mim com forte influência perversa e perniciosa.
Meu Deus, eu
era trabalhador em minha infância (eu vivia com calos salientes em minhas mãos),
tanto até que eu queria ter ido estudar técnicas agrícolas, mas foi levado por
indução ao comando do exército brasileiro, sem ter noção alguma o que faz um
soldado, lá eu servi por três anos, e os cabos colegas de farda me chamavam de
polaco, os oficiais de cabo e os sargentos pelo segundo nome.
Eu não poderia
ser mais que um cabo de vassoura, eu sou magrinho, e como um cabo de vassoura
ou um cabo de fio eu era enviado, pois é preciso ser forte e resistente para ir
a um campo de batalha, e lutar bravamente.
Eu era subordinado
até quando fui cabo, meu convívio era com sargentos e oficiais, Aa grande
maioria.
A única carta-ofício
que eu tomei ciência foi de uma página inteira me punindo por oito dias de
detenção por eu ter perdido um bloco de anotação do então coronel-comandante.
Por quê ele me
daria este bloco, eu o usei para rascunho e o joguei fora.
Três soldados antigos com a intenção
de me humilhar e de me constranger começaram a ler o ofício para mim, eu sai de
perto por considera-lo mais ofensivo que a punição propriamente dita que eu
recebi.
Cada função diferente que eu exercia
caia no esquecimento a anterior.
Antes que eu
defina algo em mim, eu fui trabalhar de garçom num restaurante italiano, e todos
me chamavam de polaco, não fizeram esforço de guardar meu nome mesmo eu tendo descendência
italiana cujo sobrenome eu herdei nos registros.
Ao observar os contextos, a
cidade que mais me marcou foi Prudentópolis-Pr, ali eu vi pequenininhos andantes,
terra de gigantes, cujo povo era maioria ucraniana, e que não tive contato
profundo, na sua essência.
Hoje eu tenho ciência que é um povo
trabalhador e que orgulha a sua gente, sendo esta geração brasileira nata,
sujeita à traição. Autor Reginaldo Afonso Bobato

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